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domingo, 11 de dezembro de 2016

Esperando Godot como um estalo criativo

O processo de criação de “Duas Gotas de Lágrimas no Frasco de Perfume” iniciou-se com a Leitura Dramática de “Esperando Godot”, realizada no dia 2 de setembro de 2016, no CEMAB (Centro de Ensino Médio Ave Branca), em Taguatinga, às 15h30. Com auditório lotado, com capacidade de 160 alunos, o grupo apresentou o texto de Samuel Beckett, clássico fundamental da dramaturgia moderna, que discute o esgotamento das relações humanas diante de um mundo cada vez mais injusto socialmente.

O elenco se preparou durante uma semana em ensaios intensos que antecederam a chegada do texto do espetáculo, que faz uma relação metalinguística com a peça de Beckett.

Os alunos assistiram a leitura cênica, com proposta de movimentação, figurino, objetos de cena e trilha sonora executada ao vivo pelo ator e músico Tiago Ianuck.

A leitura da peça subsidiou discussões nas disciplinas de artes e de português. Antes do início da leitura, o diretor Sérgio Maggio explanou sobre a importância estética e histórica do texto


O processo de Leitura dramática afetou completamente o processo de escrita cênica. O diretor-dramaturgo Sérgio Maggio fez relações implícitas entre a leitura e o texto apresentado posteriormente ao grupo. Assim, o objetivo dessa etapa foi atingido em sua totalidade, permitindo ainda que estudantes tivessem acesso a um dos textos fundamentais da dramaturgia mundial.
Participaram da leitura: Dina Brandão, Gabriela Correa, Silvia Paes, Tiago Ianuck e Tainá Baldez.
Equipe técnica: Sérgio Maggio, Gilson Cezzar, Jones de Abreu e Ana Paula Martins












Trechos da leitura dramática


Leitura Dramática Esperando Godot


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A semente da peça


A dramaturgia de “Duas Lágrimas no Frasco de Perfume” desemboca de uma pesquisa que fiz, com o grupo Trincheira Cia de Teatro (formado entre professores e alunos da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes entre os anos de 2010 e 2011). Pesquisamos a curta vida e trajetória de Honestino Guimarães, desaparecido aos 26 anos em 10 de outubro de 1973. Ali, fiquei diante do drama de dona Rosa Monteiro de Guimarães, que viu o seu cotidiano virar de ponta-cabeça com o sequestro e, posterior, assassinato do filho.

Pensar o horror que foi a ditadura militar no ponto de vista das famílias tornou-se um exercício de pesquisa dramatúrgica nos últimos cinco anos. O texto que chega à boca de cena é ainda afetado pelo clássico “Esperando Godot”, de Samuel Beckett”, que li ainda adolescente, num período que me sentia aprisionado a um cotidiano familiar opressivo. De alguma maneira, intui que o Tempo, poderia ser um Deus, que questionava existir. O Tempo jamais aprisionado pelas horas, mas capaz de pôr todos nós, seres finitos, em seu curso infinito de ser.

Sérgio Maggio, diretor-dramaturgo